terça-feira, 29 de setembro de 2009

Polanski preso, finalmente

Assim que falei sobre a prisão de Polanski para pessoas que não sabiam dela, ouvi respostas indignadas. Mas calei essas respostas com uma simples observação. "Vocês acham que o Roman Polanski pode drogar e estuprar uma menina de 13 anos e tudo bem, vamos deixar isso para lá. Agora, se o George W. Bush desse um gole de vinho para um menor de idade, vocês pediriam a cabeça dele numa bandeja de prata."

Para os amigos, tudo. Para os inimigos, o puritanismo mais rígido.

E depois ainda fazem passeatas falando de ética.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Rei Lear, versão 2009

Publicado originalmente em OrdemLivre.org.

Um rei decide se aposentar e dividir o reino entre as três filhas, premiando-as por sua capacidade de bajulá-lo. Duas delas, Regan e Goneril, bajulam-no; Cordélia, a mais nova, diz que o ama como uma filha deve amar um pai. E pronto. Repleta de abusos contra as regras de governo, essa é a premissa da peça Rei Lear, de Shakespeare.

As regras abusadas são as regras de sucessão. Dividir o reino segundo caprichos tão pequenos é algo que nem eles podem fazer — não sem pagar o preço. Além disso, os reis não podem simplesmente se retirar. É sua figura que dá unidade ao país. Nele, um rei sempre será o rei, e sua mera presença representará um conflito com as autoridades de facto.

Os conflitos são o preço mencionado, e não tardam. Como Lear ainda insiste em ser um fardo para as filhas, carregando um séquito de dezenas de cavaleiros arruaceiros, ninguém quer hospedá-lo. As filhas bajuladoras não hesitam em pôr o pai na rua, e isso durante uma tempestade – um óbvio símbolo natural da situação política.

Lear se surpreende, mas será que o espectador, que já viu duas filhas abusarem do pai e rei que pedia elogios, tem o direito de se surpreender? É comum que os espectadores julguem que Lear fica louco no meio da peça, após ser expulso, mas é claro que desde o início ele não estava bem. Estava possuído por aquilo que os gregos chamavam de hybris, o desejo de desprezar as instituições estabelecidas e reinventar todas as regras. A hybris cria a hibridização, a indefinição dos papéis, e, com isso, os conflitos. O rei ainda é rei? As filhas contra o pai serão ainda filhas?

Ao final, Lear é resgatado, ou quase, por Cordélia. A instituição que Lear desprezou é que vem em seu socorro. A hybris, porém, deixa seu estrago, que é sempre a destruição do mundo. As irmãs que traíram o pai insano desde a primeira cena traem seus maridos e traem uma à outra. Um desses maridos manda matar Lear e Cordélia. A peça termina num festival de assassinatos.

Rei Lear poderia ser readaptada para 2009. A Constituição de um país, seu grande acordo coletivo, a qual mesmo os governantes estão submetidos, proíbe que sequer se cogite a reeleição. Porém, o presidente já tem urnas, vindas do exterior, para fazer um plebiscito a esse respeito. Como Lear, ele quer mexer nas regras de sucessão. Deposto por sua hybris, seu desejo de reinventar os papéis, o presidente é expulso do país, mas retorna secretamente e reaparece numa embaixada estrangeira. Lear era rei e não era; o presidente é presidente e não é. Dentro do país, o não-presidente tem contra si um mandado de prisão; mas, na embaixada estrangeira, não é um refugiado político. Seu papel é totalmente indefinido. À moda do séquito do Rei Lear, o séquito do presidente deposto não quer nem dividir a comida com seus anfitriões. Como na peça Rei Lear, há convulsões civis. Ao contrário do Rei Lear, porém, o soberano que desprezou as regras não dá sinal de que percebe o que fez. Não há Cordélia. A hybris avança e, nesse caso, o estrangeiro ajuda. O que faltará para o morticínio?

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O que é maturidade política?

Publicado originalmente em OrdemLivre.org.

Texto inspirado por On War and Apocalypse, de René Girard.

Há mais ou menos oito anos eu trabalhava numa empresa de internet. Um belo dia, um dos meus colegas começou a falar veementemente contra um político brasileiro, famoso por sua corrupção. Sem crer nem descrer da corrupção do político, pedi que um de seus crimes fosse enumerado. Apenas um. Ou que ele me apresentasse um dado qualquer. Se o político roubou, quanto roubou? Não tive resposta. Mas a certeza de meu amigo também não pareceu ficar abalada.

Não digo o nome do político para preservar o argumento. Considerando o senso comum brasileiro, se eu dissesse a alguém que por um momento apostei na inocência dele, até meus amigos passariam a achar que não estou bem da cabeça. Repito que nem aposto, nem desaposto: só queria algo mais concreto. Uma acusação mais profissional, digamos assim. Não tenho por que ficar abalado com a presunção de culpa. Sei que a desaprovação de quem acusa assim, amadoristicamente, é a mera reprovação da turba de linchadores que descobre um desertor. E que esse desertor é o próximo candidato ao linchamento. Afinal, se chega a cogitar que o culpado é inocente, deve ser culpado também.

Essa é uma constante da vida brasileira. A imprensa levanta fatos. Solta acusações. Nada acontece. Barbárie? Não, claro que não. Barbárie é querer fazer justiça sem o Poder Judiciário. Se o Poder Judiciário é corrupto, é outra história. Mas é claro que é corrupto. Assim como eu sou corrupto, e você também, e todos nós que temos certeza da corrupção de outra pessoa sem sequer saber exatamente o que foi que ela fez. Ficar admirado com a corrupção humana (e o governo é uma coisa humana) é ingênuo demais. Isso, na melhor das hipóteses. Porque admira-se com a corrupção aquele que se julga puro. Puro o suficiente para dirigir as vidas alheias. As vidas corruptas. A minha vida. Não quero, obrigado.

Mas voltemos. É fácil ver que a longa sequência de acusações que não dão em nada cria uma frustração. Eugen Rosenstock-Huessy diz em A origem da linguagem que a ordem cria uma “taça de tempo” que é preenchida pelo relatório. “Faça.” “Fiz.” Cada acusação é como uma ordem ao governo. “Puna.” Porém, o governo não aceita ser pautado pelo jornalismo. Posso compreender. Só não posso deixar de observar que a expectativa fica no ar, e do ar nunca sai. Quase nada acontece. Poucas vezes há investigação. Meu colega não sabia qual o crime do político. Acostumou-se a vê-lo acusado tantas vezes que, mesmo que nada acontecesse, já sabia que ele era culpado. As autoridades competentes nada disseram.

Quem deve cair em descrédito? A autoridade que se recusa a ser o braço dos linchadores, ou o linchador que levanta falso testemunho? Para o linchador, a autoridade não preenche a taça de tempo. Suas palavras de ordem caem no vácuo. A linguagem se despedaça. Nada significa nada. Para a autoridade, o linchador é um mero possesso que não deve ser levado a sério.

A situação fica ainda mais grave por causa do seguinte. Enquanto todos falavam da corrupção de um outro político, o bairro onde moro sofreu uma onda de eventos extraordinários de violência: em poucos dias, tivemos um arrastão num túnel e um sequestro numa cobertura. De onde vem a famosa sensação de impunidade? Da percepção clara de que os culpados não são punidos. Todos tinham certeza de que o político era culpado. Até — talvez mais do que qualquer um — o ladrão deveria ter essa certeza. “Sou culpado, mas também o figurão, e nada acontece com ele; se acontecer comigo, é uma maldade arbitrária.” A punição seguida dos culpados (com ou sem aspas) acabaria com a sensação de impunidade. Haveria um deslocamento da violência que provavelmente beneficiaria as pessoas comuns, que não precisariam mais disputar seus pequenos e grandes bens com pequenos ladrões.

Então, temos muita maturidade política porque nos recusamos a fazer com que o governo se torne braço armado de linchadores, ou não temos maturidade política nenhuma porque nos recusamos a aceitar que a única maneira de ter paz social é satisfazer a esses linchadores?

domingo, 20 de setembro de 2009

Guerra e apocalipse

A First Things liberou um trecho da tradução inglesa do último livro de René Girard:

On September 11, people were shaken, but they quickly calmed down. There was a flash of awareness, which lasted a few fractions of a second. People could feel that something was happening. Then a blanket of silence covered up the crack in our certainty of safety. Western rationalism operates like a myth: We always work harder to avoid seeing the catastrophe. We neither can nor want to see violence as it is. The only way we will be able to meet the terrorist challenge is by radically changing the way we think. Yet, the clearer it is what is happening, the stronger our refusal to acknowledge it. This historical configuration is so new that we do not know how to deal with it. It is precisely a modality of what Pascal saw: the war between violence and truth. Think about the inadequacy of our recent avant-gardes who preached the nonexistence of the real.


E devo observar que a leitura desse trecho aumentou a força do clarão que tem sido para mim, desde quinta, a leitura de The Triumph of Love, de Geoffrey Hill.

sábado, 19 de setembro de 2009

O YouTube do Diabo

Há algum tempo falei do culto da tosquice e alguém — não consigo me lembrar quem — falou que a juventude, na verdade, ironiza a tosquice, e só fala em Pedro de Lara, para purgar esses elementos. Não que isso me tenha escapado. O que eu penso é que gente que só vê coisa que acha tosca e só fala disso acabará ficando tosco também. Mesmo que declare que sua intenção é purgar essas coisas etc.

Hoje essa idéia me veio de novo à cabeça. Penso em toda a irreverência à minha volta e na facilidade com que gente semiletrada e meiolíngüe (ainda que quase diplomada) olha para o passado com desdém, apontando o dedo e rindo de escárnio. Penso em como é fácil passar o dia inteiro no YouTube rindo de coisas que, bem, também só podem ser merecedoras de escárnio, ou de horror, como Van Damme dançando com a Gretchen. Mas gastar tanto tempo pensando nesse tipo de coisa? Aí parece que o Diabo, lá no inferno, fica vendo a vida dessas pessoas no YouTube e rindo delas.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Ela voltou



Blair Waldorf e Chuck Bass. A Marquise de Merteuil e o Vicomte de Valmont da TV contemporânea. Não tinha como eles não roubarem Gossip Girl. Quase todos os demais personagens da série só são interessantes na medida em que são tragados pelas intrigas desses dois.

O casal ainda dá uma aula de desejo mimético. O primeiro episódio da terceira temporada foi bem didático: "como lidar com o modelo-obstáculo". Mas sei que só os girardianos poderão entender isso. O que não impede ninguém de aproveitar uma foto da Leighton Meester de faixa na cabeça.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Livros no Twitter

E sem votos no Obama, o que torna tudo melhor ainda. Aliás, onde estão aqueles obamistas messiânicos? Só vejo Obama fazendo tudo igual a Bush, e pior. O que prova que realmente o que se diz sobre os presidentes não passa de hot air.

Mas passemos a cousas verdadeiramente importantes.

A Ocidente Livros Usados, aberta recentemente na famosa galeria da Modern Sound aqui em Copacabana, agora tem um twitter. Vocês, eleitores do Obama, podem seguir o twitter. Ou adicionar o twitter. Ou o que quer que se faça com um twitter. O endereço é www.twitter.com/ocidentelivros. Agora é esperar que Jayme, o livreiro, divulgue as novidades da loja.

Devo dizer que Jayme e sua namorada, o casal que cuida da loja, são meus amigos há alguns anos. Eles são como o casal Baucis e Filêmon da lenda grega. E além de o acervo da loja estar formidável, com cousas excelentes de poesia, ficção, filosofia, política, religião etc. (o que gera o paradoxo dos sebos: o acervo é excelente, mas se for comprado deixa de ser, e então... As livrarias comuns, afinal, pedem reposições à editora), simplesmente estar com eles já vale o dia. Na saída - não na entrada, cuidado com os livros - passe na sorveteria ali do lado. Como eu costumo dizer, desde a abertura da Ocidente aquele pedacinho de Copacabana se tornou o coração pulsante do hedonismo cultural copacabanense.

domingo, 13 de setembro de 2009

Valores acima da política

Publicado originalmente em OrdemLivre.org.

Ainda que eu certamente não seja monarquista, não deixo de me admirar com a cena do filme A rainha em que Tony Blair será confirmado pela monarca britânica como primeiro-ministro. Ela logo o coloca em seu lugar, dizendo que já confirmou diversos primeiros-ministros, e que o primeiro foi Winston Churchill. A política passa; o Estado permanece. Não que o Estado, como todas as criações do homem, não vá passar também um dia. Apenas se assinala que a política não é tudo. Nem, talvez, muita coisa. Ao menos não deveria ser. E nós, cidadãos privados, devemos ouvir com extremo ceticismo as palavras dos políticos profissionais que querem revestir a política de pretensões totalizantes. Nem mesmo o Estado é tudo; a política do dia-a-dia, então, deveria ser pó.

Foi nisso que pensei ao ler na última sexta os trechos do artigo de Maria José Nogueira Pinto destacado pelo ex-blog de Cesar Maia. Eis o segundo parágrafo:

Foi esta decadência das ideologias que arrastou uma decadência dos valores e a questão que, apesar de tudo, permanece é a de saber se sem convicções e sem valores pode haver, verdadeiramente, luta política ou, mesmo, política. Como podemos resignar-nos a uma política assepticamente não ideológica, não valorativa, sem princípios objectivos, sem convicções?


Aquela velha lenga-lenga do fim das ideologias que simplesmente ignora que o povão nunca teve ideologia. Ou o povo é religioso, ou não está nem aí. O fim da União Soviética não significou nada para a vasta maioria da população brasileira. Isso pode ter obrigado algumas pessoas de esquerda a repensar algumas coisas. Elas, é claro, transformam sua crise pessoal numa crise universal.

Além disso, não foi a decadência das ideologias que “arrastou uma decadência dos valores”. Foi o crescimento das ideologias que atacavam os valores tradicionais que, bem, levou a uma certa decadência desses valores tradicionais. As primeiras feministas acreditavam estar libertando a mulher. Agora, suas filhas valem-se da promiscuidade sem ônus social enquanto as mães reclamam da “decadência dos valores”. Não é uma questão de ser contra ou a favor dessas coisas, mas apenas de juntar a com b. Se uma geração de feministas luta para que a variedade de — para usar termos do Ministério da Saúde — parceiros sexuais não provoque cara feia em ninguém, por que reclamam que suas filhas simplesmente se aproveitem disso?

Penso que esses revolucionários d’antanho perceberam - não vão admitir - que o prestígio da transgressão não pode ser mantido por décadas a fio. O amor livre poderia ser glamuroso e romântico nos anos 1960. Graças a ele, temos as micaretas. O ano inteiro. Ingenuamente, aquelas pessoas achavam que a destruição do tal do patriarcado traria um mundo novo de dignidade e respeito. Mas o único resultado foi a Ivete Sangalo.

Igualmente, após a esquerda ter afirmado tanto, e tão insistentemente, que não havia certo e errado, que essas noções eram apenas maneiras de manipular as pessoas, por que alguém deveria ficar admirado que a política do dia-a-dia tenha ficado “assepticamente não ideológica, não valorativa, sem princípios objectivos, sem convicções”?

Volta e meia ouvimos pessoas como a Sra. Maria José Nogueira Pinto falando de como a humanidade “precisa de suas grandes utopias coletivas”. Precisa nada. Quem precisa disso é ela. Os amigos dela. Meia dúzia de professores universitários que julgam que nessa utopia teriam um salário melhor e trabalhariam menos. O negócio é que as tais utopias perderam o prestígio. Solapados os valores tradicionais, a URSS caio, o muro de Berlim caiu, a China vai-se abrindo lentamente, e a Sra. Maria José Nogueira Pinto já não passa muito bem. Pode a política ter valores? Mas foram pessoas como a Sra. que de um lado derrubaram os valores que eram maiores do que a política, enquanto propunham uma visão política totalizante que, quando posta em prática, foi o mais assombroso e horripilante aborto da História.

Vamos lá, Sra. Maria José Nogueira Pinto. Vamos lá, Sr. Cesar Maia. Políticos do mundo, abri os ouvidos. Há valores maiores do que a política. O homem tem direitos naturais (caso a expressão “direitos dados por Deus” ofenda sua sensibilidade) à vida, à propriedade (isto é, à manutenção da vida). O papel dos políticos não é competir com o passado, nem com o futuro, nem com os outros políticos do presente para ver quem conseguirá dirigir a sociedade de maneira mais duradoura. O papel dos políticos é estar a serviço da aplicabilidade desses valores que sempre existirão, e não de tentar criar resultados sociais, e muito menos de inventar um mundo novo. Se não há uma rainha Elizabeth II que possa colocá-los no devido lugar, se eles não creem em Deus, que ao menos olhem para suas consciências, e percebam que o bem comum é muito mais precioso do que a vaidade de seus egos obesos.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Sermão do bom ladrão

Pe. Antonio Vieira, direto de 1655, no OrdemLivre.org:

O texto de Santo Agostinho fala geralmente de todos os reinos, em que são ordinárias semelhantes opressões e injustiças, e diz que, entre os tais reinos e as covas dos ladrões — a que o santo chama latrocínios — só há uma diferença. E qual é? Que os reinos são latrocínios, ou ladroeiras grandes, e os latrocínios, ou ladroeiras, são reinos pequenos: Sublata justitia, quid sunt regna, nisi magna latrocinia? Quia et latrocinia quid sunt, nisi parva regna? é o que disse o outro pirata a Alexandre Magno. Navegava Alexandre em uma poderosa armada pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia, e como fosse trazido à sua presença um pirata que por ali andava roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício; porém, ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim. — Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador? — Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza; o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres. Mas Sêneca, que sabia bem distinguir as qualidades e interpretar as significações, a uns e outros definiu com o mesmo nome: Eodem loco pone latronem et piratam, quo regem animum latronis et piratae habentem. Se o Rei de Macedônia, ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão e o pirata, o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo lugar, e merecem o mesmo nome.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Mesquinharia é...

... linchar uma criança por um erro ortográfico.

Não tenho Twitter (porque não voto no Obama), nem consigo entendê-lo direito, mas chegam notícias de que a filha da Xuxa foi vilipendiada nele por ter escrito "cena" com "s".

Como diria Jesus Cristo, atire a primeira pedra quem nunca cometeu um erro de português. O tradutor e intérprete aqui tem mania de escrever "ascenção" (o certo é "ascensão") e, na fala, acho que uma vez por ano acabo soltando um "egigir" no lugar de "exigir". Aliás, a frase anterior tem um sujeito oculto na terceira pessoa e outro na primeira que são o mesmo sujeito.

Esse é um dos grandes casos de acusações que se voltam para o acusador. Diante do horror e da indignação, um estrangeiro recém-chegado que não dominasse o idioma poderia crer que todo brasileiro é um cultor inveterado do idioma.

Não preciso nem continuar o raciocínio.